Amo o que em ti há de trágico. De mau. De sublime. Amo o crime escondido no teu andar. A tua forma de olhar. O teu riso fingido e cristalino. Amo o veneno dos teus beijos. O teu hálito pagão. A tua mão insegura na mentira dos teus gestos. Amo o teu corpo de maçã madura. Amo o silêncio perpendicular do teu contato A fúria incontrolável da maré nas ondas vaginais do teu orgasmo. E esta tua ausência Este não-ser que é
Sou filho das manhãs como áridos caminhos
mistério ficado celebrando minha velada dor,
estrelas noturnas que choram comigo
no entardecer das sombras, erguidas nos vales
bocas secas de beijos, em friorentos lábios.
Vagueio na sombra, no inexistente caminhar
onde tudo sabe a nudez, nos dias feitos de mentira
num turbilhão para além das auroras cegas,
gemendo como o declínio dos astros, e das marés
olhares ficados em horror, como avermelhados lumes.
Sou espaço feito em musgo seco, no prado árido
ficado nos beirais, onde a saudade fica gemendo
maduras noites, despidas de todas as verdades
madrugadas loucas de paixão, nascidas no tempo...
num abismo que chora magoado como eu.