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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Volúpia
























Quinze anos. Mal despontam, insinuantes,
E cobertos de gaze transparente,
Despertando-nos um desejo ardente
Rígidos, seios alvos, tremulantes.


Tem nos olhos um brilho reluzente.
Vendo-os fitos em mim, claros, vibrantes,
Sinto invadir-me as carnes delirantes
A chama da volúpia, de repente.


Ah! se humano olhar a alma devassasse,
Talvez grande castigo me esperasse
Se descendesse de algum tronco régio.


Mas, o desejo da carne não reprime:
Se desejá-la constitui crime
Deixar de desejá-la é um sacrilégio.

Dagmar Pinto

Página Esquecida
























Olha: eu hoje pensei dizer-te em tristes versos,
Lindas coisas que trago aqui no coração!
Os meus sonhos de glória e de felicidade,
E os mil esplendores dispersos,
Ao sofrimento vão,
Do pôr-do-sol da minha mocidade.


A página mais bela e mais sentida,
Da velha história que renovas
Dentro desse romance, amor, que é nossa vida.


E fico a pensar,
Quais os versos melhores hei eu de escrever,
Na folha em branco desse livro aberto!


Mas, que importa, afinal, que eu nada deixe escrito?
De tudo que hoje possa te dizer,
Cousa alguma ouvirás, de certo,
Que os meus olhos já não te houvessem dito.


E qual nuvem de poeira a se elevar do chão,
A doirada ilusão se desfez muito breve,
Que a página melhor nunca se escreve
E morre sem nascer, dentro do coração!...

Dagmar Pinto