Não é a morte que vem nos teus olhos, mas um dia claro: esse que me acompanha desde o primeiro beijo, desde a primeira hora em que senti o aroma dos teus cabelos molhados, o sabor do sal na tua pele. Esses teus olhos serenos como o vôo de um pássaro. Assim os quero ver sempre. E neles todas as manhãs por revelar.
Por isso e por muito mais, não sei viver se tu não estás. Não sei viver sem teus carinhos, sem teus beijos, sem teu sexo apaixonante e delirante.
Fazer amor contigo, querido, é dizer: Por isso e por muito mais, não sei viver sem ti, sem tua presença física. Teus o perfume das flores... Adoro sentir o cheiro do teu corpo... Adoro percorrê-lo, centímetro a centrímetro... Buscar nele teus pontos sensíveis onde te levo aos céus. Então... Por isso e por muito mais... Não encontrarei um amor igual! Esse “juntos”, em tudo, será sempre... loucura de mim!
Estender-te os meus braços para que me enlaces, num longo e doce afago olhar nos teus olhos para que vislumbre aquilo que sei e o que desconheço ainda....
Estender-te o meu corpo sobre areias finas, para me tomares e então fazeres tua sob um pôr de sol, ou à luz da lua
Possa eu perder-me para assim de novo me encontrar em ti...
Abrir-te a minha alma para que a toques com dedos de renda, olhos de luar e possas , por fim ,saber, das noites em que eras sonho, dos dias suspensos na espera sem tempo para esperar...
E nesse momento sagrado evoco a alma e os sentidos olhar, sentir, e provar o sabor da eternidade na minúscula fração de segundos
Perder-me para me encontrar no turbilhão do que eu sinta buscando depois do êxtase essa outra razão mais funda que me leva a atravessar a alma de um outro ser para de novo me olhar para de novo me Ter.
Hoje acordei assim, Com palavras tristes ... E me sentindo sem freio ... Sem destino. Sem achar o caminho. Só com o agora ... Parece que cheguei de algum lugar ... Sem memória, sem freio ... Não sei o que veio, Desvendar algo novo Mas que viveu comigo, Uma vida inteira ... Transitei pelas minhas músicas Pelas minhas janelas Sem destino ... Transitei nua de Mim ... Não sei quem sou ... Estou sem freio, Sem memória. Estou sem você ... E nua de Mim ...
Sou filho das manhãs como áridos caminhos
mistério ficado celebrando minha velada dor,
estrelas noturnas que choram comigo
no entardecer das sombras, erguidas nos vales
bocas secas de beijos, em friorentos lábios.
Vagueio na sombra, no inexistente caminhar
onde tudo sabe a nudez, nos dias feitos de mentira
num turbilhão para além das auroras cegas,
gemendo como o declínio dos astros, e das marés
olhares ficados em horror, como avermelhados lumes.
Sou espaço feito em musgo seco, no prado árido
ficado nos beirais, onde a saudade fica gemendo
maduras noites, despidas de todas as verdades
madrugadas loucas de paixão, nascidas no tempo...
num abismo que chora magoado como eu.